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Inês Marocco: a força da criação coletiva

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Inês Marocco - Foto: Liane Neves

Professora, diretora e pesquisadora, Inês Marocco construiu uma trajetória fundamental para o teatro gaúcho a partir de dois pilares inseparáveis: a formação de artistas e a criação coletiva. Entre a universidade e os palcos, ajudou a consolidar processos de pesquisa que atravessam gerações e encontrou no teatro de grupo um espaço de experimentação, convivência e resistência. Nesta entrevista, ela relembra as mulheres que marcaram sua formação, reflete sobre a potência das lideranças femininas na cena contemporânea e compartilha sua visão sobre a arte como exercício de liberdade, pensamento crítico e construção coletiva.

Quem são as mulheres da cena artística gaúcha que são referências para o que você faz hoje?
Maria Helena Lopes, Irene Brietzke e Maria Lucia Raymundo.

Qual projeto ou momento mais te marcou ao longo da sua trajetória artística?
Os momentos mais importantes da minha trajetória artística foram realizados dentro da universidade , com alunos(as), onde desenvolvi pesquisas e processos visando a criação de montagens de espetáculos. É importante ressaltar que este trabalho tanto na UFSM quanto na UFRGS representou para mim , um grande laboratório onde aprendi o métier de direção teatral , assim como a prática coletiva de grupo. O grupo Cerco é o resultado concreto desta prática desenvolvida dentro de uma universidade.

O que muda no processo criativo quando o elenco, a equipe ou o coletivo é majoritariamente feminino?
Percebo que as mulheres têm um olhar mais perspicaz sobre a condição humana e sobre pautas políticas de gênero no mundo contemporâneo ao buscar utilizar o teatro como uma forma de questionar ,denunciando a estrutura do patriarcado Além disso, elas prezam pelo trabalho coletivo onde a autonomia e a perspectiva da horizontalidade entre direção e elenco predominam.

Porto Alegre aparece na sua obra? De que forma a cidade entra no que você cria?
Admiro muito as obras de autores e autoras da literatura gaúcha, tanto que as montagens que tenho dirigido têm como base a literatura do Rio Grande do Sul. Além disso, o fato do grupo Cerco ser de Porto Alegre e trabalhar nesta cidade acredito que isso inspira potencialmente as nossas criações artísticas.

Na sua visão, como o teatro consegue equilibrar a leveza da poesia com o peso da crítica social sem perder o poder de entreter?
A ficção presente na arte, em especial no teatro, nos permite experienciar e fruir outras dimensões e realidades, através de diferentes ferramentas da linguagem teatral. Assim, conseguimos adentrar em diversos territórios teatrais , podendo praticar a liberdade de expressão ao mesmo tempo em que desenvolvemos nosso senso crítico.

O Grupo Cerco completou recentemente mais de 15 anos de estrada com uma engrenagem criativa muito própria. Qual é o maior aprendizado que a longevidade desse coletivo te trouxe sobre o que significa fazer teatro de grupo, de forma contínua e cooperativa, em Porto Alegre?
Permanecer num mesmo grupo depois de tanto tempo juntos/ as é um ato de coragem e perseverança. Na realidade atual em que vivemos, é um privilégio poder desenvolver um trabalho cuja base é o coletivo , o espírito humano e a camaradagem . E acima de tudo , mesmo com todos os desafios, manter um grupo de teatro por tanto tempo, pesquisando a linguagem cênica , é um ato de resistência.

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