Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Secretaria da Cultura
Início do conteúdo

Superprodução da ópera La Traviata, de Giuseppe Verdi, estreia neste sábado (28) no Teatro Simões Lopes Neto

Publicação:

La Traviata
La Traviata/Divulgação - Foto: Vitoria Proença

 A Secretaria de Estado da Cultura e a Companhia de Ópera do RS abrem temporada 2026 com a nova montagem, que celebra o primeiro aniversário do Teatro Simões Lopes Neto e a conclusão definitiva das obras do Multipalco Eva Sopher, assim como os 125 anos de falecimento do compositor, os 200 anos da personagem que inspirou a obra e os 25 anos de carreira de Flávio Leite

Comemorando o primeiro aniversário do Teatro Simões Lopes Neto e a conclusão definitiva das obras do Multipalco Eva Sopher, a Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul (CORS) abre sua temporada 2026, intitulada Memória e Identidade, continuando a parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) com mais uma experiência inesquecível: uma nova superprodução da ópera La Traviata, de Giuseppe Verdi (1813-1901) e Francesco Maria Piave (1810-1876). A ópera mais célebre de todo o repertório operístico é também a campeã em número de encenações ano após ano pelo mundo, mesmo passados 173 anos de sua estreia em Veneza. 

Com concepção e direção cênica de Flávio Leite, comemorando seus 25 anos de carreira iniciada com a mesma ópera em 2001, e direção musical e regência de Marcelo de Jesus (SP) frente à Orquestra Theatro São Pedro, a montagem levará ao palco nos dias 28, 29, 30 e 31 de março (sábado, domingo, segunda e terça) um grande elenco de solistas encabeçado pelas sopranos Ludmilla Bauerfeldt (RJ) e Elisa Machado (RS) alternando-se como a cortesã Violetta Valéry, os tenores Giovanni Tristacci (RS) e Felipe Bertol (RS) interpretando Alfredo Germont e os barítonos Lício Bruno (RJ) e Roger Bueno (RS) dando vida à Giorgio Germont. Os tenores João Ferreira Filho, Adolfo Amaral e Xavier Quiñonez; os barítonos Oritz Campos, Robert Willian e Vinícius Braga; as mezzo-sopranos Cristine Guse e Carol Braga e o baixo Bruno Mezzomo completam o time de solistas. O espetáculo contará, ainda, com participações da Orquestra Theatro São Pedro, do Coro Lírico da CORS com 30 integrantes, e dos bailarinos da Plural Cia de Dança. Os últimos ingressos estão à venda em www.theatrosaopedro.rs.gov.br. 

La Traviata – ópera em três atos de Verdi, símbolo máximo de sua atenção constante em explorar dramaticamente personagens complexos e que definiria suas obras, é baseada no clássico da literatura francesa, A Dama das Camélias. O livro foi escrito em 1848 por Alexandre Dumas Filho a partir de uma experiência autobiográfica do autor, que se envolveu com a cortesã Marie (Alphonsine) Duplessis, nascida há exatos 200 anos. Dessa forma, a narrativa da obra conta a história de Armand Duval, um jovem estudante de direito de Paris na metade do século XIX. Tímido e originário de uma família burguesa interiorana, o jovem apaixona-se por Marguerite Gautier, a mais cobiçada cortesã dos salões e teatros da capital francesa do século XIX. Assim, os dois apaixonam-se e a vida da protagonista é transformada pela força desse amor improvável que acaba levando-a a um destino trágico. 

O sucesso de A Dama das Camélias rendeu diversas adaptações. O próprio autor cuidou da adaptação para o teatro. O Théâtre de Vaudeville recebeu a encenação que teve sucesso imediato em 1852. Foi aí que Giuseppe Verdi teve o primeiro contato com a obra que estrearia no dia 6 de março de 1853, após colaboração com o libretista Francesco Maria Piave com o nome de La Traviata. 

A estreia foi um fiasco. O público que compareceu ao Teatro La Fenice, em Veneza (Itália), vaiou a criação de Verdi. Até a soprano Fanny Salvini-Donatelli (1815-1891), que interpretou a protagonista Violetta Valéry foi duramente criticada. Embora ela já fosse então uma cantora aclamada, boa parte dos espectadores zombaram de sua atuação e a consideraram muito velha (aos 38 anos) e muito acima do peso para interpretar uma jovem que morre de tuberculose. Verdi proibiu todas as demais apresentações em 1853 e, em 1854 reapresentou a obra com um elenco de sua escolha e foi um sucesso imediato, nunca mais saindo do repertório e consagrando o nome de Verdi internacionalmente.

A obra gira em torno de Violetta, que abandona a vida de cortesã em Paris para viver uma relação amorosa com o burguês Alfredo Germont. Feliz com a possibilidade de amar e ser amada, ela vende seus bens para sustentar a vida do casal no campo até que recebe a visita de Giorgio Germont, pai de Alfredo, pedindo que abandone seu filho porque o envolvimento dos dois destruiria a reputação de sua família e impediria que sua filha mais jovem se casasse. Ela termina o relacionamento e é humilhada por Alfredo em uma festa na mesma noite. Quando Germont conta a Alfredo o real motivo da separação do casal, ambos se arrependem e vão pedir perdão à Violetta mas já é tarde: Tomada pela tuberculose e empobrecida, ela morre. 

“Violetta começa no ápice, sofre um corte abrupto e mergulha na dramaticidade. É preciso encontrar todas essas cores na mesma voz. O libreto deixa claro que seu drama não tem saída, e é a música de Verdi que a humaniza, a tira do lugar de mulher objetificada”, explica Ludmilla Bauerfeldt, soprano que já deu vida à protagonista em 2023, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Essa tragédia romântica é embalada por árias consagradas e grande conhecidas do grande público como Libiamo ne’ lieti calici, o famoso Brindisi, Sempre libera e Addio del passato melodias com uma intensidade emocional e profunda relação com texto que consagraram Verdi como um dos maiores nomes do universo operístico.

“Faz 25 anos que Porto Alegre não vê uma Traviata. A última foi em 2001 quando estreei no palco como solista em uma produção do então Instituto de Cultura Musical da PUCRS. La Traviata é sempre atual pois trata basicamente de misoginia, preconceito e o seu antídoto que é a compaixão, tudo isso embalado por uma música arrebatadora. Não à toa é considerada a ópera das óperas, sempre atual. Minha decisão como encenador de situar a montagem nos 1920 do século XX é a proximidade com o momento atual que vivemos no mundo apenas 100 anos depois. A Paris da década de 1920, os années folles (anos loucos), era efervescente cultural, artística e socialmente como resposta à Primeira Guerra Mundial. As mulheres tiraram as saias de armação, os comprimentos das roupas diminuíram e cortaram cabelos curtos pela primeira vez na história. Assim como a década que estamos vivendo, com os grandes avanços sociais e de igualdade de direitos no mundo, uma grande onda conservadora contrária aos avanços das liberdades individuais ganhou força. No final da década de 1920 o fascismo ascendeu na Europa e, na atualidade, o conservadorismo, o nacionalismo e a xenofobia ocupam lugar em todos os noticiários novamente. Quem sabe se acompanhando as dores da nossa protagonista não revejamos nossos preconceitos e nossos julgamentos com quem é ou pensa diferente de nós”, salienta o diretor cênico da ópera e presidente da CORS Flávio Leite, que começa os festejos de seus 25 anos de carreira em 2026 com o espetáculo.

O autor

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi, um dos compositores mais influentes do século XIX quase desistiu de começar. Durante o período que trabalhava na sua segunda ópera, Un Giorno di Regno, sua esposa faleceu. Abalado pela morte  e pelo fracasso da estreia, prometeu (e não cumpriu) que jamais voltaria a compor. Escreveu mais 14 óperas, dentre elas Nabucco, Il Trovatore, Rigoletto, Macbeth, Aida, Otello e Falstaff e ganhou projeção internacional incomparável. La Traviata ocupava lugar muito especial em vida para Verdi. Sua segunda companheira Giuseppina Strepponi, ex-cantora, responsável inclusive pela estreia de Nabucco, era mãe solteira e foi repudiada pelos conterrâneos de Verdi em Bussetto, cidade natal do compositor. Assim como Violetta e Alfredo, ambos se refugiaram no campo, na célebre Villa de Sant’Agata, para fugir dos olhos e julgamentos da sociedade. 

CORS também foi responsável pela apresentação de inauguração do Teatro Simões Lopes Neto

No dia 27 de março de 2025, a Companhia de Ópera do RS (CORS) foi convidada para inaugurar o novo templo da arte, da cultura e da expressão do Estado, o Teatro Simões Lopes Neto, dando início ao projeto Ópera e Formação em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do RS. Turandot encantou o público, que lotou três sessões, com cenários grandiosos, figurinos e caracterizações impactantes em uma imensa operação de produção: 60 músicos, coro lírico de 45 vozes, onze solistas, regente, diretor cênico, assistentes, maestros preparadores, montadores de orquestra, atores e bailarinos, totalizando quase 200 pessoas na equipe.

FICHA TÉCNICA
Concepção e direção cênica: Flávio Leite
Direção musical e regência: Marcelo de Jesus
Maestro do Coro Lírico da CORS: Sérgio Sisto
Cenário: Eduardo Menna
Figurino: Daniel Lion
Iluminação: Veridiana Mendes
Violetta: Ludmilla Bauerfeldt (28 e 30/03) e Elisa Machado (29 e 31/03)
Alfredo: Giovanni Tristacci  (28 e 30/03) e Felipe Bertol (29 e 31/03)
Giorgio Germont: Lício Bruno (28 e 30/03) e Roger Bueno (29 e 31/03)
Flora: Cristine Guse
Annina: Carol Braga
Gastone: João Ferreira Filho
Barão: Oritz Campos, barítono
Marquês: Robert Willian, barítono
Dr. Grenvil: Bruno Mezzomo
Giuseppe: Adolfo Amaral
Funcionário Flora: Xavier Quiñonez
Comissário: Vinícius Braga

Serviço
Secretaria de Estado da Cultura e Companhia de Ópera do RS apresentam La Traviata
Quando: 28 a 31 de março | Sábado a terça
Horários: dias 28, 30 e 31 de março às 20h, e dia 29 de março às 18h
Onde: Teatro Simões Lopes Neto, no Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1089 – Centro Histórico)
Ingressos: últimos lugares à venda em www.theatrosaopedro.rs.gov.br

Mais notícias

Theatro São Pedro